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	<title>.20 &#187; Michael Satran</title>
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		<title>Artigo prometido: “Morto ou vivo?” — parte 2</title>
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		<pubDate>Sun, 21 Dec 2008 22:44:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Leonel Domingos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[Zumbis]]></category>
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<li><a href='http://www.dot20.com.br/2009/07/16/zumbis-liches-e-mumias-oh-my-parte-1/' rel='bookmark' title='Permanent Link: Zumbis, liches e múmias! Oh, my! (Parte 1)'>Zumbis, liches e múmias! Oh, my! (Parte 1)</a></li>
<li><a href='http://www.dot20.com.br/2008/10/30/the-half-dead-meio-morto-como-todo-mundo-que-vive-com-salario-minimo/' rel='bookmark' title='Permanent Link: The Half-Dead: Meio-morto, como todo mundo que vive com salário minímo'>The Half-Dead: Meio-morto, como todo mundo que vive com salário minímo</a></li>
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			<content:encoded><![CDATA[<div class="tweetmeme_button" style="float: right; margin-left: 10px;">
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			</a>
		</div>
<p style="text-align: justify;">Ontem eu coloquei a primeira parte deste artigo. Uma atualização dele iria cortar diversos pontos, mas acho que seria injusto com o autor, Michael Satran, editar desnecessariamente seu texto. Segue, então, o final de &#8220;morto ou vivo?&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: small;"><strong>Morto ou Morto-Vivo?</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;">Quando pensamos na restauração da vida, é natural que nossos pensamentos se voltem também para a necromancia e os mortos-vivos.<span id="more-664"></span><br />
A questão é: tornar-se um morto-vivo consciente é uma forma de <em>Ressureição</em>? Alguns sacerdotes podem responder que não. A questão não é tão simples quanto parece à primeira vista.</p>
<p style="text-align: justify;">Tornar-se um morto-vivo consciente não é uma forma de Ressureição, é mais que provável que esses seres sejam exterminados. No entanto, podem surgir problemas, especialmente no caso dos mortos-vivos mais inteligentes, como espectros, vampiros e liches. Embora a maioria das pessoas considere que tais criaturas não estão vivas, um tribunal pode ser forçado a reconhecer sua existência.</p>
<p style="text-align: justify;">Se um ser é capaz de prestar testemunho perante um tribunal, então ele pode trazer suas queixas a esse tribunal.<br />
Imaginemos a seguinte situação:</p>
<p style="text-align: justify;">Um grupo de personagens de alto nível passou vários meses tentando localizar o tesouro de um antigo mago. Eles chegam ao local, derrotam guardiões monstruosos, apanham tudo que há de valor vão embora.</p>
<p style="text-align: justify;">Quando voltam à sua cidade natal, são detidos pela guarda local. O lich, dono do tesouro, acusou os PdJs de roubo.</p>
<p style="text-align: justify;">Ele tem uma lista completa de tudo o que foi roubado, incluindo indenizações pelos guardiões que o grupo destruiu. Os PdJs não têm outra escolha senão entregar os bens e pagar as indenizações (e talvez passar um tempo na cadeia.</p>
<p style="text-align: justify;">Embora a maioria dos liches não seja louca o suficiente para fazer isso (pois todos os sumo-sacerdotes, caçadores de mortos-vivos da cidade, podem rumar para o tribunal e terminar com a sua existência), pode simplesmente contratar um advogado para representá-lo. A maioria das sociedades medievais não proíbe que um partido seja representado no tribunal, especialmente se não pode estar presente (vampiros, por exemplo, só podem sair à noite).</p>
<p style="text-align: justify;">Tudo se resume na seguinte questão: os mortos-vivos são cidadãos? Se a sua conduta é correta perante as leis e costumes da cidade ou país, não há razão para negá-los a cidadania.</p>
<p style="text-align: justify;">A principal diferença entre um lich e um mago de alto nível que obedece as leis e restrições de uma grande cidade, é que o lich não compra comida na feira. Da mesma forma, se um vampiro se porta civilizadamente e chega a um acordo com as autoridades da cidade para minimizar os problemas relacionados à sua necessidade de sangue, deveria ganhar a cidadania. Afinal de contas, se um grande número de vampiros começasse a aparecer de repente, ele seria o suspeito número um (e isso não seria nada saudável para ele). Seria, até, uma fonte de prestígio para as autoridades.</p>
<p style="text-align: justify;">Elas podem alegar que lidaram com sucesso com poderosos seres mortos-vivos, sem o uso da violência (embora algumas seitas possam não gostar do acordo).</p>
<p style="text-align: justify;">Um só <em>Elmo da Tendência Oposta</em> pode desencadear enormes conseqüências (vejam Jeremiah Morningmist, o Vampiro Justo). Ele é um exemplo de que os mortos-vivos não precisam ser todos malignos.</p>
<p style="text-align: justify;">Imaginem o terror dos PdJs quando invadem a morada de um vampiro e são presos pelo assassinato de um eminente cidadão!</p>
<p style="text-align: justify;">Imagine a frustração de um poderoso monarca mago quando descobre que seus descendentes o transformaram num lich! Imagine o choque quando os PdJs são contratados para destruir a poderosa criatura e, ao invadir a sala do trono, descobrem que além do lich ocupar o trono com legitimidade, foram contratados pela guilda dos assassinos para eliminar o rei. Imaginem também que o lich é de tendência boa. Não é mais tão fácil justificar a destruição do vil morto-vivo!</p>
<p style="text-align: justify;">Supondo que o morto-vivo já acumula mais de um século de existência (e não é o rei), pode alegar que é um fiel súdito do seu governante, tendo servido lealmente por muito mais tempo que os personagens dos jogadores e exigir que estes sejam expulsos da cidade por ameaçá-lo e tentar roubar seus bens.</p>
<p style="text-align: justify;">Se um morto-vivo é um cidadão, então destruí-lo é homicídio. Se destruí-lo é homicídio, então os destruidores da criatura devem ser levados à justiça. Se o morto-vivo, por sua vez, cometer algum crime, também deve ser levado à justiça, pois a lei deve ser igual para todos (mesmo estando mortos). É natural que se houver um vampiro à solta na cidade matando pessoas a torto e a direito, os tribunais não façam grandes exigências sobre a forma como o assassino é levado à justiça. O mesmo se aplica, no entanto, quando o assassino é uma pessoa viva comum (um Pdj, por exemplo).</p>
<p style="text-align: justify;">O morto-vivo, perante a lei, está vivo ou não? E qual é o significado disso para quem foi ressuscitado? Se uma pessoa morre e volta à vida, ela se tornou um morto-vivo?</p>
<p style="text-align: justify;">Imagine o susto dos personagens dos jogadores quando o templo onde o seu amigo está sendo ressuscitado é cercado por um multidão enfurecida determinada a destruir o vil morto-vivo antes que possa ser criado. Embora saibamos que o fato de ter sido ressuscitado não torna um personagem sujeito ao poder da fé dos sacerdotes, ainda está sujeito ao poder do ostracismo. É natural que as pessoas sintam-se incomodadas com a sua volta (especialmente as que presenciaram a sua morte).</p>
<p style="text-align: justify;">[N.T.: Assita o filme <strong>Highlander</strong> para ver o que pode acontecer num caso desses].</p>
<p style="text-align: justify;">Em resumo, quando os mortos começam a ser ressuscitados, a distinção entre os vivos e os mortos-vivos fica menos clara. Isso pode ser um problema, tanto para os personagens jogadores quanto para os personagens do mestre que tentam lidar com a morte e posterior ressurreição de um personagem.</p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: small;"><strong>Soluções<br />
</strong></span><br />
A atitude vigente perante a <em>Ressurreição</em> pode ser mudada através de restrições cuidadosamente estudadas, seja pelo Mestre, seja por PdMs poderosos. Os métodos que o Mestre pode empregar incluem, dentre outros, os seguintes:</p>
<p style="text-align: justify;">A <em>Ressurreição</em> só pode ser realizada nos quatro dias mais sagrados do ano, depende de uma conjunção entre as estrelas e planetas, ou necessita da presença do mais poderoso sacerdote da seita.</p>
<p style="text-align: justify;">É possível que apenas algumas seitas possam ressuscitar seus seguidores. Isso não deveria ser uma grande preocupação para os PdJs, mas o Mestre deveria levar em conta a área de atuação de cada divindade, antes de conceder <em>Ressurreição</em> e magias afins aos seus sacerdotes, simplesmente por que têm acesso à esfera Necromântica.</p>
<p style="text-align: justify;">Talvez os deuses só permitam a <em>Ressurreição</em> se servir aos seus objetivos. Isso quer dizer que os personagens terão não uma, mas duas missões a cumprir para a igreja: a que o sacerdote estipula, que deveria ser difícil e a que o deus estipula, que deveria ser mais difícil ainda.</p>
<p style="text-align: justify;">Talvez a questão mais importante para o Mestre seja a das tendências. Os deuses não permitirão que seus sacerdotes ressuscitem personagens pertencentes a outras religiões. Sacerdotes de tendência leal podem recusar-se a ressuscitar pessoas cuja volta à vida possa causar muito caos ou desordem.</p>
<p style="text-align: justify;">Sacerdotes caóticos podem resolver que não querem fazê-lo, e fim de papo! Sacerdotes neutros podem pesar cuidadosamente a situação, levando os PdJs à loucura enquanto deliberam.</p>
<p style="text-align: justify;">A tendência pode ser uma ferramenta importante para limitar o número de ressurreições.</p>
<p style="text-align: justify;">A magia de <em>Ressurreição</em> requer uma cerimônia de dez minutos (um turno), embora anéis e outros ítens mágicos sejam mais rápidos. Muita coisa pode acontecer nesses dez minutos.</p>
<p style="text-align: justify;">O sacerdote pode estar gripado e ser acometido de uma crise de espirros; a magia srá interrompida, o sacerdote envelhecerá três anos e não haverá ressurreição alguma. Os inimigos dos PdJs ou da seita que está realizando a cerimônia poderiam resolver atacar o templo justamente nesse momento.</p>
<p style="text-align: justify;">Pense no poder necessário para sobrepujar as defesas de um templo onde reside um sumo-sacerdote de 14º nível ou mais. A não ser que o grupo de PdJs seja muito poderoso, estarão enfrentando um adversário muito mais forte que eles. Outra alternativa seria um agente infiltrado resolver atacar durante a cerimônia.</p>
<p style="text-align: justify;">O fato do sacerdote envelhecer três anos quando lança a magia, também cria para os personagens. Sacerdotes idosos podem recusar-se a lançar essa magia; mesmo sacerdotes jovens (especialmente os que seguem deuses da juventude, força, saúde e qualidades similares) podem não querer empregar tais magias apenas por dinheiro e diversão.</p>
<p style="text-align: justify;">Se um sacerdote com trinta anos de idade lançar trinta magias de <em>Ressurreição, </em>certamente irá para a sepultura. Se os PdJs desejam que a magia seja lançada, talvez tenham que providenciar algumas <em>Poções da Longevidade </em>ou <em>Elixires da Juventude</em> como parte do pagamento.</p>
<p style="text-align: justify;">Se o Mestre quiser restringir a Ressurreição através dos PdMs, é bom pensar na forma de governo vigente no local onde irá ocorrer a cerimônia. Vamos considerar as seguintes possibilidades:<br />
<strong><br />
Monarquia:</strong> a <em>Ressurreição</em> pode estar sujeita às leis da nação ou à vontade do governante. Neste caso, os personagens devem, respeitosamente, solicitar que o monarca lhes conceda a graça para que os sacerdotes ressuscitem o companheiro falecido. Se a Ressurreição está sujeita às leis da nação, pode ser que, além de terem que pagar algum tipo de taxa ao governo.<br />
<strong><br />
Teocracia Monoteísta: </strong>nesta forma de governo, pode ser contra a lei ressuscitar infiéis. Mesmo que os PdJs e o falecido pertençam à fé &#8220;correta&#8221;, terão que passar por diversas provas para testar a força da sua fé e provar que merecem que o amigo seja ressuscitado.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Teocracia Politeísta:</strong> numa teocracia com divindades múltiplas, a medida do poder de uma seita é dada, em parte, pelos milagres que realiza. Algumas seitas podem ressentir-se do fato de não poderem trazer os mortos de volta à vida e tentar sabotar o processo de <em>Ressurreição</em>.</p>
<p style="text-align: justify;">Outras seitas podem reinvindicar para si a realização da cerimônia e desejar fazê-lo o mais rápido possível, contrariando a vontade do conselho governante e até mesmo dos PdJs!</p>
<p style="text-align: justify;">Se o falecido não pertencer a uma determinada religião, os sacerdotes podem recusar-se a ressuscitá-lo e os membros mais altruístas e egoístas da congregação irão pronunciar-se em debates teológicos (e nós todos sabemos o quanto esses debates podem se arrastar).</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Oligopólio:</strong> neste caso, a Ressurreição vai custar muito dinheiro. Talvez mais do que em outros lugares, mas os personagens podem pechinchar um pouco.</p>
<p style="text-align: justify;">Em campanhas onde os níveis são altos, isso pode ser um problema. Quando as pessoas são movidas pela cobiça, qualquer coisa pode acontecer.</p>
<p style="text-align: justify;">Não só isso; entregar 100.000 po ou mais no templo, é por si só um desafio. Sacerdotes e ladrões sem escrúpulos podem estar à espreita em cada beco, tentando apossar-se do pagamento, reunido à duras penas, para a <em>Ressurreição</em>.<br />
<strong><br />
Oligarquia: </strong>como o poder numa oligarquia é difuso, dá-se muita ênfase à lei e à ordem. Como resultado, a burocracia tende a ser grande.</p>
<p style="text-align: justify;">Um personagem ressuscitado pode ter que cadastrar-se no governo e passar por inúmeros testes para provar que ele é, de fato, a mesma pessoa. Afinal, se outra pessoa fosse ressuscitada no seu lugar e ficasse com os seus pertences, seria uma forma de roubo. Os personagens podem ter que pagar uma taxa ao estado, como ocorrer nas monarquias, sob alegação de que a Ressurreição atrapalha os registros e causa confusões de ordem legal.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Plutocracia:</strong> numa plutocracia, os PdJs podem ter que lidar com muitos governantes no lugar de um só. Isso pode ter conseqüências terríveis, especialmente se o plutocrata A não gosta do plutocrata B.</p>
<p style="text-align: justify;">Queiram os deuses que o falecido não seja parente de um deles, pois o resultado será o caos!</p>
<p style="text-align: justify;">Os Plutocratas estarão tentando aumentar seu poder pessoal às custas do poder dos outros, então é bom que os PdJs não contrariem muitos deles.</p>
<p style="text-align: justify;">Certamente existem outras formas de governo além das listadas aqui, mas o Mestre deve sentir-se à vontade para lidar com a situação como achar melhor. É bom lembrar que alguns governos podem não impor restrição alguma, mas a maioria considerará a Ressurreição problemática por algum motivo.<br />
<span style="font-size: small;"><strong><br />
Idéias para Aventuras</strong></span><br />
<strong><br />
1. A morte antes dos impostos</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Um homem rico, com muitas dívidas, morre pouco antes da coleta dos impostos e os coletores estão furiosos. Os personagens dos jogadores são contratados pela coletoria de impostos para acompanhar o coletor que irá receber o que é devido. Devem protegê-lo e descobrir se há alguma trapassa nessa história.</p>
<p style="text-align: justify;">Estória: o homem estava morto, mas não pretendia permanecer assim por muito tempo. Tendo acumulado muitas dívidas, cometeu suicídio e providenciou para que um sacerdote, com um Anel da Ressurreição, estivesse presente após a partida dos coletores de impostos.</p>
<p style="text-align: justify;">Contratou, também, um poderoso ilusionista para esconder esse fato dos PdJs (um ilusionista pode causar bastante confusão). O ilusionista e o sacerdote devem impedir que os PdJs descubram que o contribuinte está vivo (ele não esperava esta visita final do fisco).<br />
<strong><br />
2. Duque de duques</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Os PdJs são contratados pelo mais novo de dois irmãos e ambos alegam ser o duque de uma pequena província. O irmão mais velho, recentemente ressuscitado, quer seu ducado de volta. Os PdJs precisam fazer com que prevaleça o direito do irmão mais novo.</p>
<p style="text-align: justify;">Estória: O irmão mais velho deveria ter vários guarda-costas poderosos e pessoas leais no castelo. Essas pessoas procurarão sabotar as tentativas do grupo de defender a causa do irmão mais jovem. Uma alternativa: o grupo pode ser contratado pelos dois irmãos para realizar uma investigação de forma imparcial e cada um dos lados está tentando sabotar a causa do outro. Que diversão!<br />
<strong><br />
3. Legítimo demais para desistir</strong></p>
<p style="text-align: justify;">O mago da corte, um simpático e rechonchudo senhor, morre do coração durante um banquete. Os PdJs, presentes ao banquete, testemunham sua morte. Com alguma sorte, já conheciam o mago, de contatos anteriores com a corte. O rei nomeia uma maga para o cargo vago, cujos maus modos irritam a todos.</p>
<p style="text-align: justify;">Estória: Por volta de uma semana mais tarde a maga da corte procura os PdJs, trazendo-lhes um problema; ela recebeu bilhetes que apresentam uma escolha: ou renuncia ao cargo ou sofrerá constantes represálias da nobreza. Ela quer que o grupo descubra qual é a origem da encrenca.</p>
<p style="text-align: justify;">A origem é o mago real anterior, que vinha fazendo preparativos para tornar-se um lich e obteve sucesso (embora não esperasse morrer da forma que morreu). O lich quer seu cargo de volta, mas está relutante em usar violência para conseguir o que deseja.</p>
<p style="text-align: justify;">De que lado ficam os personagens? Da arrogante maga ou do razoavelmente simpágico mago morto-vivo? Seja qual for a sua decisão, eles estão em apuros. Se atacarem o lich, ele prestará queixa, afinal de contas, foi mago da corte por mais de trinta anos antes de morrer!<br />
<strong><br />
4. Santa confusão</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Os PdJs levam um aliado falecido a um templo da sua religião, mas os sacerdotes recusam-se a ressuscitá-lo, não importa quais os argumentos que o grupo apresente. A razão, aparentemente, é que o único sacerdote do templo que pode lançar a magia não quer fazê-lo.</p>
<p style="text-align: justify;">Estória: o sacerdote está sob uma poderosa maldição e tem medo de contar isso aos outros. Há muito tempo, um sacerdote de uma religião maligna o amaldiçoou, declarando que, caso tentasse ressuscitar alguém, entraria num coma que duraria até que o ressuscitado morresse novamente. Remover Maldições é inútil (a maldição é uma forma de Missão).</p>
<p style="text-align: justify;">A única forma de quebrá-la é convencendo o deus do sacerdote maligno a fazê-lo (improvável!) ou achar o sacerdote e convencê-lo a desfazer pessoalmente a maldição.</p>
<p style="text-align: justify;">Sem que os PdJs saibam, esse sacerdote renunciou à fé maligna e hoje vive num monastério, onde tenta reparar seus anos deploráveis vivendo uma vida de humildade e meditação. Quando o grupo o localizar, ficará bastante surpreso (e contente) em saber que agora o sacerdote se dedica ao bem. Infelizmente, isso quer dizer que ele já não tem mais poder para desfazer a maldição.</p>
<p style="text-align: justify;">o sumo-sacerdote do monastério também não deseja realizar a <em>Ressurreição</em>, mas tem um pergaminho com a magia, que poderá ceder em troca de algum favor do templo ou dos PdJs, contornando assim a maldição. Se os personagens aceitarem, na viagem de volta serão atacados por seguidores do deus maligno, liderados por um sacerdote de poder mediano que deseja destruir o pergaminho e preservar a maldição.<br />
<span style="font-size: small;"><strong><br />
Representando a Ressurreição</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;">Na maioria das campanhas, um personagem morre, é ressuscitado e a sua vida continua como se nunca tivesse morrido. Ao invés de adotar essa atitude displicente, devemos reconhecer que existe muito potencial para representação na <em>Ressurreição</em>. A morte é uma experiência traumática e deveria ser representada como tal. Pode ser que o personagem passe a encarar o combate de outra forma, tendo em vista a experiência assustadora pela qual passou.</p>
<p style="text-align: justify;">Alguns personagens podem agir como se fossem imortais. Tendo passado pela ressurreição, eles podem sentir que nada pode destruí-los, que são de alguma forma abençoados por terem voltado à vida. Essa atitude, é claro, vai durar só até serem mortos novamente.</p>
<p style="text-align: justify;">Não é obrigatório as pessoas terem medo de morrer, ou da morte, mas elas deveriam ser afetadas por aquilo que a causou, possivelmente adquirindo um medo ou ódio intenso da coisa que as matou.</p>
<p style="text-align: justify;">Outros personagens podem torturar-se, culpando-se, com remorsos porque sentem saudade do &#8220;outro lado&#8221;. ou sentirem que suas perícias são insuficientes (pois o foram daquela vez fatídica).</p>
<p style="text-align: justify;">Alguns personagens podem adquirir uma espécie de trauma pós-ressurreição, ficando deprimidos por não conseguirem lidar com a volta à vida.</p>
<p style="text-align: justify;">Há outros que podem chegar à conclusão que têm algum tipo de destino que ainda não se realizou. Afinal de contas, se os deuses os ressuscitaram, é porque havia alguma razão para isso, que o personagem ainda não compreende. Um personagem assim tenderá a ser filosófico e contemplativo, esperando o dia em que seu destino completar-se-á para que ele possa enfim descansar!</p>
<p style="text-align: justify;">Outros personagens podem tornar-se violentos é mórbidos, obcecados com a erradicação de todas as formas de morte desnecessária e estúpida.</p>
<p style="text-align: justify;">[N.T.: Assista o filme<strong> Frankenstein de Mary Shelley</strong> para ver um bom exemplo disso].</p>
<p style="text-align: justify;">Outros ainda podem sentir-se inadequados e aposentar-se da vida de aventureiros (pelo menos temporariamente).</p>
<p style="text-align: justify;">As possibilidades para representação são ilimitadas.</p>
<div style="text-align: justify;">Nem todos os métodos apresentados podem ser apropriados para a sua campanha, mas certamente abrem oportunidades para que se represente situações bem diferentes. o processo de <em>Ressurreição</em> como um todo, fica mais difícil, mas também torna-se mais verossímil — exatamente porque ficou mais difícil. <span style="font-family: Wingdings;"></span></div>
<div style="text-align: justify;"></div>
<div style="text-align: justify;">Por Michael Satran, Tradução de Erik P. Munne<br />
<span style="font-size: xx-small;">Publicado em português na Dragon Magazine, ed. Abril, junho de 1996</span></div>
<img src="http://www.dot20.com.br/?ak_action=api_record_view&id=664&type=feed" alt=" Artigo prometido: “Morto ou vivo?” — parte 2"  title="Artigo prometido: “Morto ou vivo?” — parte 2" />

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		<title>Artigo prometido: &#8220;Morto ou vivo?&#8221; — parte 1</title>
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		<pubDate>Sun, 21 Dec 2008 04:05:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Leonel Domingos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[AD&D]]></category>
		<category><![CDATA[Dragon Magazine]]></category>
		<category><![CDATA[Magia]]></category>
		<category><![CDATA[Michael Satran]]></category>
		<category><![CDATA[Ressurreição]]></category>

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		<description><![CDATA[Bom&#8230; como prometido, eis o tal artigo. Como ele é um tanto extenso, eu quebrei em duas partes. Segue a primeira. A continuação, amanhã. Abração! MORTO OU VIVO? Aspectos econômicos, políticos e legais da ressurreição mágica Michael Satran Tradução de Erik P. Munne Publicado em português na Dragon Magazine, ed. Abril, junho de 1996 A [...]


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			</a>
		</div>
<p style="text-align: justify;">Bom&#8230; como prometido, eis o tal artigo. Como ele é um tanto extenso, eu quebrei em duas partes. Segue a primeira. A continuação, amanhã.</p>
<p style="text-align: justify;">Abração!</p>
<div style="font-family: Verdana; text-align: justify;">
<div style="text-align: center;"><strong><span style="font-size: x-large;">MORTO OU VIVO?</span></strong><br />
<strong> Aspectos econômicos, políticos e legais da ressurreição mágica</strong><br />
<strong> </strong></div>
</div>
<p><br style="font-family: Verdana;" /></p>
<div style="font-family: Verdana; text-align: right;">Michael Satran<br />
Tradução de Erik P. Munne<br />
<span style="font-size: xx-small;">Publicado em português na<br />
Dragon Magazine, ed. Abril,<br />
junho de 1996</span></div>
<p><span id="more-653"></span><br style="font-family: Verdana;" /></p>
<p style="text-align: justify;"><em><strong>A batalha havia acabado. Moljor Parte-Espadas estava à frente de uma pilha de orcs mortos, sobre os quais o ar de inverno começava a depositar uma fina camada de gelo. Ele desembainhol sua espada e aproximou-se de Delissa, a maga.</strong><strong> &#8220;Este é um grande dia para o povo de Bruntmann, Delissa. Estes orcs não os prejudicarão mais. Onde está Dalvar?&#8221; </strong><strong>&#8220;Morto&#8221;, ela balbuciou, com um pequeno soluço. Delissa e Dalvar era casados há algum tempo. &#8220;Bom, não tem problema!&#8221;, declarou Moljor com um sorriso matreiro nos lábios. &#8220;São só três dias até o templo mais próximo! Vamos selar os cavalos!&#8221;</strong></em></p>
<p style="text-align: justify;">Esse diálogo é um exemplo da atitude perante <em>Ressurreição</em> e outras magias afins que permeiam muitas campanhas de AD&amp;D©. Personagens lutam, personagens morrem e personagens são ressuscitados.</p>
<p style="text-align: justify;">Pessoas que jogam há algum tempo geralmente consideram essa prática usual. Todos os jogadores de AD&amp;D© deveriam considerar mais profundamente as conseqüências dessa atitude. É bom lembrar que, na primeira versão do jogo, a <em>Ressurreição</em> custava 10.000 po mais 10.000 po para cada nível do personagem ressuscitado — uma fórmula que ainda é seguida em muitas campanhas. É muito ouro.</p>
<p style="text-align: justify;">Por que uma Ressurreição custa tanto? Quais são as conseqüências de ser ressuscitado? O que pensa um personagem que já foi ressuscitado duas, três ou mais vezes? A discussão a seguir pressupõe que o teste de Ressurreição será bem sucedido.</p>
<p style="text-align: justify;">Considerando os valores altos que aventureiros costumam ter nas suas habilidades, não é uma suposição exagerada.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="font-size: small;">Significado Social</span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span> </span>Considerando um mundo onde a ressurreição é fato, uma boa idéia é começar pelas conseqüências sociais. A ressurreição produz uma série de problemas de ordem social, a maioria dos quais em torno de um ponto comum: a vida vale pouco.</p>
<p style="text-align: justify;">Se a vida vale pouco, assassinos também cobram pouco. Num mundo onde a <em>Ressurreição</em> é comum, por exemplo, quando a guilda dos assassinos quer mandar um aviso a um mercador rico, informando que ele está começando a incomodar, um dos assassinos entra na casa do mercador, aproxima-se da sua cama e o mata. Ele sabe que o mercador certamente será ressuscitado em breve. Este, por sua vez, pensará duas vezes antes de incomodar novamente a guilda. Se a vida vale pouco, a ética e a moral vão por água abaixo.<br />
<span> </span><br />
&#8220;Por que eu deveria trazer meu inimigo à justiça, capturando-o vivo, quando posso simplesmente trazê-lo morto? Além de ser mais fácil, as autoridades podem ressuscitá-lo se acharem que precisam do infame com vida.&#8221;</p>
<p style="text-align: justify;"><span> </span>Os relacionamentos entre os personagens dos jogadores também sofrem com isso, como mostra o exemplo no início do artigo. Moljor é um idiota insensível, mas sua colocação é válida. Por que preocupar-se? O morto é um aventureiro. A probabilidade é que sobreviva à tentativa de<br />
ressurreição.</p>
<p style="text-align: justify;">Se a vida vale pouco e os personagens dos jogadores já estão nesse nível, imagine então os vilões. Eles sabem que os heróis farão tudo a seu alcance para impedir que sejam ressuscitados. Portanto, os vilões procurarão não só manter-se vivos, como também assegurar-se de que os heróis não possam ser ressuscitados quando morrerem.</p>
<p style="text-align: justify;">Se o vilão souber da existência da <em>Ressurreição</em>, tentará fazer com que nenhum dos PdJs escape e empregará as táticas mais brutais possíveis para impedi-los de atingir seu objetivo, pois sabe que, se falhar, a mesma sorte o espera.</p>
<p style="text-align: justify;"><span> </span>A ressurreição torna possível feitos heróicos, mas também rouba esse mérito. Se Moljor pretende enfrentar o terrível dragão que ameaça a vila de Brandsnow, ficará mais tranqüilo sabendo que há a possibilidade de ressurreição caso ele falhe. Poderá então tentar novamente, após subir uns dois níveis. O pior é que todo mundo se utilizará dessa tática, sabendo que poderá voltar mais tarde e acabar o trabalho, talvez contra um monstro ferido que não pode curar-se tão rápido quanto um PdJ com um amigo clérigo.</p>
<p style="text-align: justify;">Quando a vida vale pouco, as vidas dos monstros valem menos ainda.</p>
<p style="text-align: justify;">Ao invés de &#8220;Corajosamente, Moldor bateu-se contra o dragão, até que a enorme criatura deu seu último suspiro&#8221;, uma luta memorável contra uma criatura lendária torna-se absurda: &#8220;Moljor lutou várias vezes contra o dragão num período de cinco ou seis semanas e morreu duas vezes, mas graças aos poderes do clérigo local, pôde salvar os cidadãos de Brandsnow do mal que os assolava.&#8221;</p>
<p style="text-align: justify;"><span> </span>Outro problema que surge é o seguinte diálogo absurdo que pode ocorrer entre aventureiros:</p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;Quantas vezes você já morreu?&#8221;</p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;Umas três ou quatro, não sei.&#8221;</p>
<p style="text-align: justify;">Já ouvi esse diálogo em mais de uma campanha de AD&amp;D©. Os jogadores em questão estavam representando (ou seja, foram essas as palavras dos seus personagens). O problema é que a <em>Ressurreição</em> provoca desvalorização da vida. Se tudo o que você perde quando morre é algum dinheiro e talvez um ponto de Constituição, quem se importa quantas vezes as pessoas são ressuscitadas?<br />
<span style="font-size: small;"><strong><br />
Conseqüências Legais</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span> </span>O que acontece juridicamente quando alguém morre e depois é ressuscitado? Na maioria das campanhas, nada. Mas, sob a lei medieval, algumas coisas interessantes ocorrem.</p>
<p style="text-align: justify;">A primeira questão é: a pessoa está morta ou não? Técnicamente falando, ela morreu. Ela pode estar viva agora, mas no seu testamento estava escrito: &#8220;Por ocasião da minha morte, meu patrimônio deverá passar a X,Y e Z&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;">E agora?</p>
<p style="text-align: justify;">Como qualquer bom mestre pode perceber, existem centenas de aventuras que podem ser desenvolvidas a partir de uma situação assim. Os herdeiros podem não querer abrir mão dos bens que receberam e um deles pode ficar tão furioso com a volta do falecido, que tentará matá-lo novamente para não devolver a herança.</p>
<p style="text-align: justify;">A quem pertencem os bens e como resolver a disputa?</p>
<p style="text-align: justify;">E se o caso não puder ser resolvido com um duelo, pois o herdeiro está com a <em>espada +3</em> do falecido e alegar que agora é sua?</p>
<p style="text-align: justify;">Um tribunal medieval pode se recusar a julgar um caso desses. A situação é certamente confusa e leva a argumentros do tipo: &#8220;Como você pode afirmar que ele morreu? Ele está vivo aqui do meu lado, não está?&#8221; ou então &#8220;Mas eu vi quando ele morreu, isso não significa que devemos executar o que diz o testamento?&#8221;</p>
<p style="text-align: justify;">A segunda questão que deve ser respondida é: perante a lei, um personagem ressuscitado continua sendo a mesma pessoa? A resposta, novamente, é sim e não. O personagem morreu, então obviamente não pode ser a mesma pessoa. No entanto ele mora na mesma casa junto com as mesmas pessoas e está casado com a mesma mulher, então ele certamete é a mesma pessoa. Se ele morreu, isso significa que tornou-se uma nova pessoa perante a lei? Ele pode ser preso por crimes cometidos antes da sua morte? Algo precisa ser feito para resolver a confusão.</p>
<p style="text-align: justify;">Se o falecido (supondo, neste caso, falecido e não ressuscitado) tem uma cônjuge, qual é o estado do seu casamento? Os casamentos dos mundos normais costumam durar &#8220;até que a morte os separe&#8221;. Mas num jogo de AD&amp;D© essa lógica pode causar problemas. Se o cônjuge morre e ressuscita, ele ainda é um cônjuge?</p>
<p style="text-align: justify;">A passagem do tempo é outro aspecto terrível da <em>Ressurreição</em> ao qual não se dá muita importância. Se você é casado e morre, os seus bens normalmente são divididos de acordo com a lei e com o seu testamento. Mas o que acontece após ressurreição? Um clérigo de 14° nível pode restaurar uma pessoa morta há mais de cem anos. Se isso ocorrer devem as autoridades recuperar todos os bens do falecido? E se esses bens estavam registrados e/ou catalogados?</p>
<p style="text-align: justify;">Imagine um grupo de personagens que saqueia uma tumba, apenas para descobrir, alguns meses mais tarde, que o dono da tumba está vivo novamente, quer os seus bens de volta e contratou advogados para recuperá-los. O que os persongens fazerm se já não têm mais os bens? Devem responder pelo ato, pois saquearam o lugar. A tumba pertence ao falecido e agora ele está vivo e seus bens foram retirados!</p>
<p style="text-align: justify;">Seguindo a mesma linha de raciocínio, o antigo ocupante da tumba pode apresentar queixa e pôr os personagens na cadeia, a não ser que eles recuperem tudo o que roubaram (certamente uma aventura interessante).</p>
<p style="text-align: justify;">Além disso, o que faz o ressuscitado se descobre que seu cônjuge está vivo e idoso, ou então casou com outra pessoa? A situação é um pesadelo do ponto de vista da lógica.</p>
<p style="text-align: justify;">E se os seus descendentes ainda estiverem vivos? Eles têm a obrigação de sustentá-lo, ou ele é legalmente outra pessoa agora que está novamente entre os vivos?</p>
<p style="text-align: justify;">É permissível, perante a lei, cobrar impostos de uma pessoa que morre antes da cobrança e é ressuscitada depois? Os impostos correspondem ao período de um ano, mas se uma pessoa morre antes da visita do coletor de impostos, será que é legalmente taxável pelo governo? Se mora sozinha e não tem herdeiros, não é.</p>
<p style="text-align: justify;">Só é possível cobrar uma dívida quando existem herdeiros que possam responder por ela. Se a pessoa não tem herdeiros, ninguém assume a responsabilidade por suas dívidas, o que significa que elas desaparecem. O estado pode tentar confiscar o dinheiro, mas existem tantas complicações legais a essa altura que eles nunca conseguirão (leia <strong>Ricardo II</strong>, de Shakespeare, para ver como é a reação da nobreza medieval ao confisco súbito das suas terras).</p>
<p style="text-align: justify;">Após o dia dos impostos, o personagem é ressuscitado. Ele deveria esperar até ter uma enorme dívida antes de seguir esse curso. Embora possa ganhar muitos inimigos, o pior que pode acontecer é ser morto por algum deles (e ressuscitado alguns dias depois).</p>
<p style="text-align: justify;">Como se vê, existem muitos problemas com a <em>Ressurreição</em>, inclusive na política dos reinos. Embora os personagens dos jogadores, na maioria das campanhas não cheguem a governar, podem ser afetados pelas repercussões políticas da <em>Ressurreição</em>.<br />
<strong><span style="font-size: small;"><br />
Problemas Políticos</span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span> </span>Os sinos dobram, anunciando a morte do Rei. Um bondoso sacerdote andarilho entra no templo e vê o seu senhor, a quem sempre serviu fielmente. O sacerdote o ressuscita.</p>
<p style="text-align: justify;">E agora?</p>
<p style="text-align: justify;">Embora seja óbvio que possa surgir todo tipo de caos a partir de uma situação assim, é de se supor que alguns países proíbam a ressurreição dos seus governantes justamente por esse motivo. Sacerdotes ordeiros (e leais de um modo geral) terão extrema relutância em ressuscitar alguém em circunstâncias similares.</p>
<p style="text-align: justify;">Em lugares onde essa prática é permitida, surgem inúmeras possibilidades para representação quando figuras influentes são arbitrariamente ressuscitadas.</p>
<p style="text-align: justify;">Surgem problemas imediatos, independente do nível de nobreza.</p>
<p style="text-align: justify;">No exemplo anterior, o rei foi ressucitado. Sua morte foi declarada oficialmente e a data do seu funeral marcada. Ele ainda é o rei? A resposta, mais uma vez é ambígua.</p>
<p style="text-align: justify;">Em caso afirmativo, se ele não morreu de causas naturais, os responsáveis por sua morte certamente tentarão matá-lo novamente. Em caso negativo, pode ser que ele não concorde com isso e tente reunir um exército para recuperar seu trono do &#8220;usurpador&#8221;, mesmo que seja um parente seu.</p>
<p style="text-align: justify;">O antigo rei não é o único responsável pelas consegüências. E o seu sucessor? Certamente o herdeiro não estará muito contente, tendo sido rei por um dia (ou mais), ao ver que o antigo rei está de volta. Ele não apenas voltou como, também, apesar de estar legalmente morto e de ter morrido à vista de todos, quer que lhe devolvam o trono. O novo governante é obrigado a devolvê-lo?</p>
<p style="text-align: justify;">Falando claramente, seu antecessor morreu e as cerimônias de sucessão já foram realizadas. Se um dos rivais é maligno (o que freqüentemente ocorre quando surgem disputas assim em campanhas de fantasia), a situação pode ser resolvida com relativa facilidade. Se não existem culpados, no entanto, o que irrompe é o caos absoluto.</p>
<p style="text-align: justify;">Os personagens dos jogadores podem ser contratados por uma das duas partes para provar que o seu direito sobre a coroa é legítimo. É possíveis que surjam facções contra e a favor de ambos os partidos. Se aparecerem apenas facções contra um dos partidos e esse partido for do sujeito a quem os personagens estão apoiando, é hora de procurar outras bandas (ou a coisa pode esquentar).</p>
<p style="text-align: justify;">Além disso tudo, o que acontece com os privilégios da nobreza? O novo governante é obrigado a abrir seu rival dentro de casa enquanto é travada a disputa pelo poder? Quem é que dorme nos aposentos reais enquanto isso? Eis um exemplo de como uma pequena coisa pode se tornar um problema muito grande.</p>
<p style="text-align: justify;">Quem tem o direito de empunhar a espada ancestral da família, é um dos muitos problemas que causarão aos rivais um sofrimento sem fim!</p>
<p style="text-align: justify;">Questões políticas podem ser muito mais graves. Uma guerra civil poderia irromper entre as facções e, como resultado, muitas vidas seriam perdidas. Um grupo de heróis de tendências boas poderia dividir-se entre leis e caos, dependendo das circunstâncias e de quem é amigo de quem. Ou ainda pior, se um dos partidos tiver parentesco com um PdJ, este poderia ser convocado para lutar do seu lado em uma crise vindoura!</p>
<p style="text-align: justify;">O PdJ pode chegar à conclusão que o lado para o qual está trabalhando não é o lado para o qual deveria estar trabalhando&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">E então? Se o PdJ trabalha para o herdeiro, está contra outro parente, talvez seu próprio pai ou mãe. Se trabalha para a pessoa ressucitada, está afrontando seus irmãos e acabará lutando contra eles por direitos, propriedades e terra. É desnecessário dizer que a confusão será infindável.</p>
<p style="text-align: justify;">(Continua&#8230;)</p>
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